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domingo, 25 de junho de 2017

Milhões de Mercedes-Benz para todos em Moçambique | PACIÊNCIA TEM LIMITE!



@Verdade | editorial

O que se está a passar em Moçambique é sem dúvidas uma amostra grátis da falta de respeito, sensibilidade e compaixão para com o sacrificado povo moçambicano. Desde que, há anos, o Governo da Frelimo pendurou-se no poder tem vindo alegre e sistematicamente a empurrar os moçambicanos para o vale da desgraça. Estes são obrigados a sobreviver à essa violência e didatura absoluta. E o mais dramático é que a população é forçada a ouvir zombar mascarada de aconselhamento através dos órgãos de informação.

Numa intervenção que soou a insultos ao povo, o Primeiro-Ministro afirmou que se deve aumentar a produção para que todos os moçambicanos possam andar de viaturas de marca Mercedes-Benz. Carlos de Rosário respondia, assim, a inquietação de centenas de moçambicanos em relação as viaturas adquiridas para os deputados da Comissão Permanente da Assembleia da República. Este pensamento do Primeiro-Ministro é revelador da falta de bom senso, para além da sua ignorância aguda. É sabido que o senhor do Rosário anda em Mercedes, mas desde que lhe foi confiado o cargo de Primeiro-Ministro nunca se viu um resultado sequer do seu trabalho, senão sistemáticas ao povo. Pelo contrário, em tempo de crise que o país atravessa, o Primeiro-Ministro tem-se limitado a viajar de um lado para outro, esbanjando os cofres do Estado.

Quem também perdeu a oportunidade de ficar calado é o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita. O ministro, no cúmulo da sua incompetência no sector que dirige, sugeriu que os autocarros avariados das empresas públicas de transporte de Maputo e Matola fosse transformados em salas de aula com vista a reduzir o número de alunos que estudam ao relento. O senhor Mesquita devia se preocupar com a situação de falta de transportes que tira o sono a centenas de moçambicanos, ao invés de vir com soluções estupidificantes.

Estas são algumas situações que nos deixam revoltados com o Governo de turno e perante isso não temos mais alternativas. Ou exigimos mudança ou façamos ela acontecer. A mais do que necessária mudança política não resultará de qualquer caridadezinha política e, muito menos, cairá do céu. Portanto, só os moçambicanos podem mudar esse inferno em que vivemos criado pela Frelimo.

MOZA NUMA HISTÓRIA MAL CONTADA | O que ficou por explicar no negócio do Moza Banco?



"O País Económico" seleccionou oito pontos e perguntas que ficaram por ser esclarecidas pelo Banco Central de Moçambique após declarações de segunda-feira

Na segunda-feira passada, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, pronunciou-se sobre a escolha da Kuhanha para gestão de 80% das participações do Moza Banco. O objectivo da conferência de imprensa era dar a conhecer as decisões da reunião de Política Monetária do Banco Central, mas a Kuhanha acabou por ser o tema central.

Como quem estava preparado, Rogério Zandamela falou perto de uma hora das razões que conduziram à selecção do Fundo de Pensões do Banco de Moçambique para dono de um dos bancos mais importantes do país, destacando que não conhece um processo mais transparente no mundo.

Essencialmente, Zandamela disse que a Kuhanha não concorreu à compra do Moza Banco; que a decisão foi tomada num quadro legal apertado; que não há conflito de interesses por ser governador e ao mesmo tempo PCA da Kuhanha; que o uso do Fundo de Pensões foi acautelado; que foi o Banco Central quem foi buscar João Figueiredo para gestor do Moza Banco e que os pequenos bancos enfrentam actualmente problemas de liquidez.

Os pronunciamentos do governador do Banco de Moçambique levantam, no entanto, várias questões desde a contradição entre as declarações dentro da instituição, passando pela possibilidade de conflito de interesses, risco de uso de Fundo Pensões, até ocultação de informação de interesse público e quebra de confidencialidade.

Fartar a vilanagem | 42 anos depois da independência Moçambique continua um país pobre



Dhlakama, líder da Renamo, acredita que situação do país poderá melhorar nos próximos anos

O líder da Renamo aproveitou a oportunidade para saudar os muçulmanos pelo fim do Ramadão e desejar festas felizes.

No dia em que se celebra mais um aniversário da independência nacional, Dhlakama disse que 42 anos depois da proclamação da independência Moçambique continua um país pobre. Ainda assim, o líder da Renamo acredita que situação do país poderá melhorar nos próximos anos.

Afonso Dhalakama não deixou de falar da situação da paz no país, referindo que a retirada das Forças de Defesa e Segurança de Gorongosa ainda não aconteceu.

O País

EUA | Invasão por convite de Temer| E O EXÉRCITO AMERICANO CHEGARÁ À AMAZÓNIA?





Governo convida Washington para exercícios militares na região. Setores das forças armadas brasileiras resistem. Mas Temer tem planos vastos de “integração” com os EUA

Raúl Zibechi | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho

Pela primeira vez na história, tropas dos Estados Unidos participam de um exercício militar no coração da Amazônia. Trata-se do AmazonLog, que acontecerá entre 6 e 13 de novembro no município brasileiro de Tabatinga, situado na margem esquerda do rio Solimões, na tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia. Os exercícios militares não têm precedentes na América Latina. A proposta tem como referência a operação da OTAN realizada na Hungria em 2015, que empenhou 1.700 militares numa simulação de apoio logístico. Os objetivos são controle da imigração ilegal, assistência humanitária em grandes eventos, operações de paz em regiões remotas, ações contra o tráfico de drogas e os chamados “delitos ambientais”.

“O lugar escolhido foi Tabatinga porque queremos mostrar ao mundo as dificuldades da nossa Amazônia”, disse o general do Exército do Brasil, Guilherme Cals Theophilo. O que ele não disse foi que mostrarão também os segredos mais bem guardados da região considerada pulmão do planeta, a mais rica em água e biodiversidade. Acrescentou que este é o momento para ensinar como as florestas tropicais são úteis para um “debate científico e tecnológico” relacionado à paz e à guerra.

Angola | ELES ROUBAM TUDO E NÃO DEIXAM NADA



Raul Diniz, opinião

O caso Danilo dos Santos ajuda a dar forma da verdadeira dimensão da corrupção entranhada no epicentro do regime. Essa situação mostra a pobreza que existe no debate sobre a corrupção, que de certa maneira ajudou a colapsar em todas as vertentes a situação politica do país. Por outro lado, percebe-se igualmente que não pode destrinçar a atitude criminosa do filho do presidente de corrupção centrada na imagem de José Eduardo dos Santos.

Apesar da república ter sido transformada no país do pai banana, ainda assim a situação é penosa e extremamente gravosa por tratar-se de um crime praticado por um dos muitos filhos do mais alto magistrado da república.

O eleitorado não quer o silencio do nosso candidato, e muito menos dos demais candidatos, dos quais se esperava estarem dissociados de praticas nocivas, e improprias para consumo, principalmente em tempo de eleições. A situação do país é deprimente, porém, as lideranças político-partidárias não tiraram as devidas ilações, esses apenas olham para o seu bem-estar e de seus afectivos dependentes.

A crise de valores éticos e morais está explanada a olhos nus e são de uma flagrante realidade fantasmagórico, porém, os políticos não conseguem retirar as reais ilações para ajudar a mudar o rumo desastroso que o país segue. A imensidão de escândalos praticados pelo clã familiar do presidente Dos Santos demonstra em certa medida uma clara e perceptibilidade de corrupção centrada na imagem do líder do regime despótico.

Agora, pouca ou nenhuma dúvida existe nas sucessivas declarações costumeiras do candidato da situação não esta nem nunca esteve comprometido seriamente no combate a corrupção. O silencio de João Lourenço em torno da compra do relógio só ajuda comprovar que as mesmas estão nutridas de perjúrio e da ausência de verdade exequível.

SURPRESA! | CHIVUKUVUKU RENDE-SE AO EMÉRITO E DIVINO DITADOR



O líder (certamente também emérito e por mérito próprio) da CASA-CE, o segundo maior partido da oposição angolana, Abel Chivukuvuku, defende a proposta de lei do MPLA que visa dar regalias e o título de emérito ao presidente cessante, nunca nominalmente eleito e nos poder há 38 anos, José Eduardo dos Santos. A esmagadora maioria dos angolanos, onde se incluem os 20 milhões de pobres, está contra. Mas isso é um pormenor sem interesse…

Orlando Castro* | Folha 8

A proposta de um estatuto especial, nesta circunstância, para um Presidente que, entre muitas outras mais-valias igualmente eméritas, conseguiu colocar Angola no “ranking” dos países mais corruptos do mundo, conseguiu pôr o país a liderar o índice da mortalidade infantil no… mundo e, num país com perto de 26 milhões de habitantes, teve o engenho e arte de criar 20 milhões de pobres, deve ser unanimemente apoiada por todos.

E, assim sendo, Abel Chivukuvuku está apenas a assumir e transmitir o pensamento de um povo sofredor cuja figura mais emblemática é Isabel dos Santos, a multimilionária Presidente do Conselho de Administração da Isangol, ex-Sonangol. Reconheça-se, em abono da tese do emérito líder da CASA-CE, que esta posição é digna de um rasgado elogio e de um diploma de mérito por parte do MPLA.

Na defesa da tese do MPLA, o presidente da CASA-CE diz que; “É algo necessário e normal em todas as sociedades democráticas para que haja serenidade, transmita-se confiança e segurança para aqueles que tiveram um determinado papel em determinado tempo e que quando saem precisam que o estado lhes garanta segurança, tranquilidade mas sobretudo dignidade”. Abel Chivukuvuku vai, aliás, mais longe ao dizer que a questão das regalias previstas “é o menos importante”.

Ora aí está. O líder da CASA-CE está reconhecido – só lhe fica bem, diga-se – ao seu actual patrono (José Eduardo dos Santos) e esqueceu-se (o que é fácil) de quem dele fez um homem: Jonas Malheiro Savimbi. Aliás, trata-se de um agradecimento a quem o pôs a comer lagosta e o socorreu quando foi ferido.

MATARAM | Polícia angolana reprime manifestação do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe



Pelo menos uma pessoa morreu, cerca de 10 estão feridas e mais de 50 foram presas este sábado em duas províncias durante as manifestações que exigiam a autonomia da região conhecida como Lunda Tchokwe.

Sábado violento em Angola. A Polícia Nacional, em colaboração com as Forças Armadas Angolanas (FAA), reagiu com balas de fogo a uma série de manifestações convocadas pelo Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, na manhã deste sábado (24.06), nas províncias do Moxico, Lunda Norte e Lunda Sul.

Pelo menos uma pessoa foi morta, outra foi baleada na cabeça e encontra-se neste momento sob cuidados médicos numa unidade hospitalar, enquanto outros oito manifestantes estão gravemente feridos. Mais de 50 pessoas foram detidas durante a ação das autoridades de segurança.

A reportagem da DW África em Angola constatou que na província do Moxico não se registou nenhum incidente. Contudo, a cidade de Luena, capital da província, foi sitiada pelas forças de segurança.

As manifestações visavam exigir o fim das perseguições permanentes e prisões arbitrárias contra os ativistas do movimento, assim como a abertura de um diálogo com o Governo angolano para o restabelecimento da autonomia da região de Lunda Tchokwe, que compreende as províncias ricas em diamante e madeira, nomeadamente as Lundas Norte e Sul, Moxico e Cuando Cubango.

ANGOLA, PAÍS DA ELITE CRIMINOSA E DE BRANDA OPOSIÇÃO



PGR É UM INÚTIL COM GRANDES DIFICULDADES EM PERCEBER QUE RAFAEL MARQUES É MAIS ÚTIL PARA O PAÍS DO QUE TODA BANDIDAGEM JUNTA QUE DESGOVERNA ANGOLA!

Fernando Vumby | opinião

Este inútil é daqueles que se não tivesse nascido seria inventado exatamente para tocar o instrumento que toca mal, porcamente e de forma tão nojenta neste rancho folclórico atípico de corruptos denominado por governo.
O tipo tem dificuldades em perceber a importância de um Rafael Marques para Angola e os angolanos, e pior do que isto, é não dar conta da sua inutilidade e o prejuízo que causa ao país pela forma corruptamente vergonhosa como exerce este cargo sem razão de existência por ser a pior e mais agoniante farsa nacional.

Mas com todo o respeito aos que alegam no seu ministério que se tudo dependesse deles este tipo já estaria no olho da rua á vários anos, e para não ficar no que os outros já disseram, importa dizer aqui que há cada vez mais gente esperando por uma oportunidade para lhe apontar com o dedo no rosto e quem sabe ate mesmo pessoas da sua família por enquanto ainda sufocados pelo medo de serem eliminados por ordens do mesmo?

Já é tempo deste inútil dar conta de que presta um serviço péssimo ao país e é como diz e bem dito o Rafael Marques, se uma certeza também tenho é mesmo de que tarde ou cedo se depois de bem espremido ou não, este tipo está entre os que poderão ter um fim muito triste e penoso numa cadeia qualquer.

sábado, 24 de junho de 2017

CPLP | FALANDO DE PAÍSES DESTA LÍNGUA



Manuel Rui | Jornal de Angola | opinião

Não vou mais esquecer as palavras do juiz relator do Supremo Tribunal Eleitoral do Brasil quando, no final do seu voto condenatório do Presidente Temer, afirmou que não trocaria verdade viva por cadáver, poderia assistir ao velório mas não carregaria o caixão...

Tratava-se de matéria de corrupção inimaginável com um presidente da República a receber, às dez da noite, em seu gabinete, um membro da família Batista, a maior processadora de carnes do mundo (quanta picanha deles teremos comido por aqui). O tal de Batista levou um gravador escondido para registar a conversa com Temer e terá levado instruções para calar a boca a um dos que estava preso (que são muitos) para ser entregue a primeira prestação por outro à família do detido... mas o cara que levou uma mala com a grana, foi filmado e entrou em cana. 

Estamos a falar do maior país da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Parece que tudo, para quem é supersticioso, terá começado da derrota de cabazada com a Alemanha no último campeonato do mundo de futebol. A situação social foi-se decompondo e a economia do país é às curvas, sendo certo que o país pode e vai ser um dos países maiores e melhores do mundo porque também tem gente boa por lá. Tem gente boa, sim. E tem uma singularidade. Na ladroeira desde o mensalão até ao lava jato, não aparece um brasileiro negro. O negro não chega a esses contornos pois quem anda perto do dinheiro de gigantes como a Petrobras, a Odebrecht ou os Batistas das carnes tem de ser branco. Nem para carregar a mala com a nota. Um brasileiro falava que “estava tudo preso e só faltavam os do palácio”. Aí, como o ex-governador do Rio já foi condenado por vários delitos e deixou as gavetas vazias, querem reduzir para cinquenta por cento os patrocínios às escolas de samba. Falaram que o samba é com o pé e não para gastar fortunas em coreografias. E o pessoal do morro pode falar que roubar o dinheiro do povo é com as mãos.

KARL MARX, QUEM DIRIA, JÁ PODE VOLTAR



Desigualdade brutal e ataque aos direitos sociais levam até os liberais ilustrados a reconhecer certas teses do filósofo. Mas como atualizá-las, para transformar o mundo de hoje?

Vicenç Navarro | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho

Uma das colunas mais conhecidas da revista semanal The Economist, a Bagehot (que tem como responsável Adrian Wooldridge) publicou, na edição de 13 de maio, um artigo que seria impensável encontrar nas páginas de qualquer revista econômica de orientação igualmente liberal, na Espanha [ou no Brasil].

Sob o título “O momento marxista” e o subtítulo “Os trabalhistas têm razão: Karl Marx tem muito a ensinar aos políticos de hoje”, Bagehot analisa o debate entre o dirigente do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, e seu ministro sombra da Economia e Fazenda, o John McDonnell, por um lado, e os dirigentes do Partido Conservador e os jornais conservadores Daily Telegraph e Daily Mail, por outro. Definir esse diálogo como debate é, sem dúvida, excessivamente generoso por parte da coluna Bagehot, pois a resposta dos jornais conservadores e dos dirigentes conservadores aos dirigentes trabalhistas é uma demonização tosca, grosseira e ignorante de Marx e do marxismo, confundindo marxismo com stalinismo, coisa que também acontece constantemente nos maiores meios de comunicação, em sua maioria de orientação conservadora ou neoliberal.

Uma vez descartados os argumentos da direita britânica, a coluna Bagehot passa a discutir o que considera as grandes profecias de Karl Marx (assim as define), para entender o que está acontecendo hoje no mundo capitalista desenvolvido. Conclui que muitas das previsões do velho economista resultaram corretas. Entre elas destaca que:

1. A classe capitalista (que a coluna Bagehot insiste que continua a existir, ainda que não use esse termo para defini-la), a dos proprietários e gestores do grande capital produtivo, está sendo substituída – como anunciou Marx – cada vez mais pelos proprietários e gestores do capital especulativo e financeiro, que Marx (e a coluna Bagehot) consideram parasitários da riqueza criada pelo capital produtivo. Essa classe parasitária é a que, segundo a coluna, domina o mundo do capital, sendo tal situação a maior responsável pelo “abusivo” e “escandaloso” (termo utilizado por Bagehot) crescimento das desigualdades.

Os capitalistas conseguiram cada vez mais benefícios, à custa de todos os demais. Para demonstrá-lo, o colunista do The Economist assinala que, enquanto em 1980 os executivos-chefes das cem mais importantes empresas britânicas tinham rendimento 25 vezes maior que o do empregado típico de suas empresas, hoje, ganham 130 vezes mais. As equipes dirigentes dessas corporações inflaram sua remuneração às custas de seus empregados, ao receber das empresas pagamentos (além do salário) por meio de ações, aposentadorias especiais e outros privilégios e benefícios. Mais uma vez, Bagehot ressalta que Marx havia previsto o que ocorreu. E mais: a coluna descarta o argumento segundo o qul essas remunerações devam-se às exigências do mercado de talentos, pois a maioria desses salários escandalosos dos executivos foi atribuída por eles mesmos, através de seus contatos nos Comitês Executivos das empresas.

Portugal | DEPOIS DO LUTO



Paulo Tavares | Diário de Notícias | opinião

Estão todos, por fim, onde queriam estar. Livres do luto e disponíveis para um debate político miserável e que mais não é do que o mesmo de sempre. Depois do que se passou nos últimos dias, o país pedia e merecia mais. Entre as inúmeras personagens secundárias, dos dois lados da barricada, que vão multiplicando-se em acusações absurdas e maniqueístas, salva-se a sugestão do PSD, para a criação de uma comissão técnica independente que nos dê as respostas que procuramos. Salva-se igualmente a rapidez com que o governo aceitou a sugestão. Já agora, se mal pergunte, "independente" vai significar exatamente a mesma coisa para governo e oposição? Quem vai escolher os nomes dos técnicos? Vamos ter votações no Parlamento para essas escolhas? Não me parece que seja o caminho, mas enfim.

Seja como for, que venha a comissão. Que seja rápida nas conclusões e que permaneça o mais independente possível. Já dou de barato que haja fogos florestais e que nem sempre seja possível contê-los nos primeiros momentos, ou seja, que alguns fiquem fora de controlo. Há um longo historial de casos semelhantes, com destruição de vastas extensões de floresta, em países com meios de combate bem mais sofisticados e numerosos - Estados Unidos (sobretudo Califórnia), Canadá e Austrália, apenas como exemplo. A grande diferença é que não há registo, nesses casos, de uma lista tão grande de vítimas - mortos ou feridos. Diga-se o que se disser - ou, nesta fase, adivinhe--se o que se adivinhar - sobre as ignições e as condições de propagação do incêndio de Pedrógão Grande, há uma certeza. Em caso algum deviam ter morrido ou ficado feridas pessoas sem qualquer ligação ao combate ao fogo. Por outras palavras, não é aceitável que morram civis.

Voltando à política. Já ouvi autarcas a disputar em direto na rádio o seu quinhão da solidariedade nacional. "Aqui também ardeu!", gritam, com as autárquicas ali ao virar do verão. Também já começou o empurrar da culpa de um lado para o outro. Ainda ontem, em direto numa televisão, outro autarca garantia que a limpeza daquela estrada - a EN236-1 - não era com ele, logo estava descansado. E há de chegar a fase em que a GNR empurra para os bombeiros, e os bombeiros para a coordenação da Proteção Civil, e por aí fora. Por respeito a tudo o que se passou, exigia-se mais ponderação e tranquilidade, sobretudo a quem tem tido acesso aos diversos palcos da comunicação social. 

Foto: Lusa

Stop | SOLIDARIEDADE COM VÍTIMAS DE INCÊNDIOS MOBILIZA PORTUGUESES



“O apoio foi do tamanho do mundo e nós somos pequeninos”. Bombeiros pedem suspensão de entrega de bens

“É um sufoco, é muita coisa. Deixem-nos respirar”. Bombeiros de Pedrógão não estão a conseguir fazer a triagem e apelam para que as pessoas suspendam “por uns dias” a entrega de bens
presidente da Associação de Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande apelou este sábado para que as pessoas suspendam por "alguns dias" a entrega de ajuda.

"É um sufoco. É muita coisa. São toneladas e toneladas de roupa, de sapatos", notou o presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Carlos David, pedindo à população para suspender por alguns dias a entrega de ajuda na sequência dos incêndios que provocaram a morte a 64 pessoas.

Segundo Carlos David, a ajuda recebida no quartel dos bombeiros é "demasiada" para esta fase, sendo que, face à quantidade de apoio recebido, ainda não foi possível organizar a operação.

"Não estamos a fazer a triagem, a selecionar a roupa, que tem de se catalogar. Quanto mais chega, menos tempo" há para a seleção, frisou, pedindo às pessoas para deixarem os bombeiros organizarem-se.

"Deixem-nos respirar e organizar. Queremos organizar bem e servir a população, mas temos que ter aqui alguma disciplina. O apoio foi do tamanho do mundo e nós somos pequeninos. Não temos dimensão para isso", disse à agência Lusa Carlos David.

De acordo com o presidente da associação de bombeiros, há pequenos armazéns que estão a ser utilizados para armazenar a ajuda recebida, sendo que há instalações em "stand by" para o caso de ser necessário utilizá-las. Carlos David sublinhou que os bombeiros têm também levado a ajuda a outras corporações e postos de apoio, visto que, neste momento, "não há barreiras, não há concelhos, é toda uma região".

A ajuda, frisou, "está a chegar às juntas" e as juntas estão a distribuir no terreno, vincando que, caso alguém não esteja a receber ajuda, apenas precisa de avisar os bombeiros.

Em causa, os dois grandes incêndio, que provocaram a morte a 64 pessoas e ferimentos a mais de 200, e que deflagraram no dia 17 na região Centro, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Expresso | Foto: Luís Barra | Título PG

NARENDA MODI | De visita a Portugal, primeiro-ministro da Índia expressa condolências



O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, expressou hoje perante o primeiro-ministro português, António Costa, "profundas condolências" pelas vítimas do incêndio de Pedrogão Grande que provocou a morte a 64 pessoas.

Na primeira visita bilateral de um primeiro-ministro indiano a Portugal, Modi expressou "profundadas condolências e solidariedade pelas vítimas dos devastadores incêndios em Portugal na semana passada".

Estas foram as primeiras palavras do chefe do Governo da Índia, na declaração à imprensa conjunta com o primeiro-ministro português, no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

Dois grandes incêndios, que provocaram a morte a 64 pessoas e ferimentos a mais de 200, deflagraram no dia 17 na região Centro, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Estes incêndios, que deflagraram nos concelhos de Pedrógão Grande e Góis, consumiram cerca de 53 mil hectares de floresta [o equivalente a 53 mil campos de futebol] e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

Após um encontro de mais de trinta minutos e de um almoço entre os dois chefes de Governo e respetivas delegações, foram assinados 11 memorandos de entendimento para a cooperação nas áreas comerciais, da ciência e tecnologia.

Os acordos envolvem a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a Portugal-India Business Hub, a Universidade do Minho, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia de Braga e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O primeiro-ministro indiano encontra-se em Lisboa para uma visita de um dia a Portugal, depois de António Costa ter estado na Índia em janeiro passado.

Na sequência da invasão de Goa por tropas da União Indiana em dezembro de 1961, Portugal e Índia apenas restabeleceram relações diplomáticas após o 25 de Abril de 1974.

Lusa | Notícias ao Minuto | Foto: Reuters

NA RÚSSIA | Portugal goleia por 4 – 0 a Nova Zelândia e está nas meias-finais das Confederações



Golos de Nani, André Silva, Ronaldo e Bernardo Silva carimbaram apuramento.

A tarefa não era complicada mas Portugal goleou para não deixar dúvidas. Apesar de uma entrada algo apática por parte da seleção nacional frente à Nova Zelândia, o resultado volumoso garante o acesso às meias-finais da Taça das Confederações e o primeiro lugar do Grupo A.

Devagar se vai ao longe

Mas vamos ao filme do jogo. Comecemos pelos primeiros 45 minutos. Portugal começou mal o jogo. Pouco esclarecido, pouco coeso e com claras dificuldades nas transições ofensivas perante uma Nova Zelândia que, apesar de eliminada, mostrou-se muito motivada nos primeiros minutos de jogo.

No entanto, Portugal, aos poucos, foi assumindo o comando da partida e aos 32 minutos, depois de uma falta de Woods sobre Danilo na grande área da Nova Zelândia, Ronaldo converteu da melhor maneira uma grande penalidade.

O golo trouxe mais energia à formação lusa que, poucos minutos depois, fez o segundo na sequência de um bom entendimento entre Quaresma e Eliseu, no corredor esquerdo, com o lateral do Benfica a encontrar Bernardo Silva (37') no coração da grande área. O reforço do Manchester City atirou a contar e fez o segundo da partida.

Porém, o médio português acabaria por se lesionar dando o lugar a Pizzi na equipa portuguesa.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

ASSALTO A RAQQA PÕE A DESCOBERTO ARROGÂNCIA DOS ESTADOS UNIDOS E SEUS VASSALOS



Martinho Júnior | Luanda 

1- O assalto a Raqqa está a pôr a descoberto a arrogância dos Estados Unidos e de seus vassalos, em relação ao respeito que a nível internacional deve merecer o estado sírio.

A arrogância é de tal ordem que os Estados Unidos estão-se a implicar num mar de contradições na Ásia, que irão provocar uma sucessão de conflitos em cadeia, num processo que se vai alargando desde o Iémen à Síria, ao Iraque, à Turquia, ao Qatar e ao Afeganistão, entre outros potenciais intervenientes (Israel e Irão).

Na Síria, os Estados Unidos estão a fazer penetrar unidades suas a partir das fronteiras da Jordânia e do Iraque, depois de mover uma linha de logística militar a partir da Itália (Campo Darby – Porto de Livorno – Aqqaba, na Jordânia – Jedah, na Arábia Saudita), em Abril do corrente ano e na sequência dos êxitos em Mossul, contra o Estado Islâmico.

Entre os receptores desse material de guerra, estão os curdos de Rojava (territórios a norte do Eufrates, até à fronteira com a Turquia), cujas linhas da frente tendem a assaltar Raqqa a partir desses territórios situados na margem esquerda do Eufrates.

Há notícias que indicam que Rojava estabeleceu um acordo de cooperação militar por 10 anos com os Estados Unidos, o que aumenta o potencial de desestabilização não só em relação à Síria, mas também em relação à Turquia, ao Iraque e ao Irão.…

Os curdos têm agora, com o material de guerra fornecido pelos Estados Unidos, uma acrescida capacidade ofensiva.

A sul do Eufrates, os curdos dos cantões de Rojava procuram também isolar Raqqa, sem atender que todo esse processo inquinado pelos Estados Unidos, não pode impedir a Síria de, a partir do sudoeste, enveredar pelo assalto à capital do Estado Islâmico na Síria, bem como na tomada de Deir ez Zog (a leste de Raqqa), um assalto que também já começou.

2- Na contradição principal: enquanto a presença de unidades da Rússia, do Irão e do Hezbollah respeitam a soberania síria, os Estados Unidos e a coligação avassalada e apensa, estão na Síria sem qualquer respeito pelo estado sírio, de forma ilegítima e ilegal, desrespeitando por outro lado todo o tipo de convenções internacionais.

Tendo havido alguma espectativa sobre como Rojava iria determinar seu posicionamento, com o recente derrube dum bombardeiro sírio a sudoeste de Raqqa, a confrontação da Síria contra os curdos de Rojava parece levar um caminho inevitável, em função da arrogância estado-unidense na região; os curdos procuraram, ainda que sem sucesso, impedir a recuperação do piloto por parte dos sírios…

A Rússia suspendeu os contactos com a coligação e avisou que a ocidente do Eufrates o espaço aéreo irá ser controlado de forma a qualquer ameaça (drones e aviação) da coligação sujeitar-se a poder ser neutralizada.

A escalada de tensões em torno do assalto a Raqqa está instalada, abrindo uma brecha no sentido principal das acções, de que só o Estado Islâmico pode beneficiar e a responsabilidade dessa brecha recai por inteiro sobre a forma ilegítima, ilegal e errática da actuação dos Estados Unidos, o que comprova que sobre o caos e o terrorismo instalados, os Estados Unidos pretendem a fragmentação da Síria. 

3- As unidades sírias que estão envolvidas no assalto a Raqqa, tiveram de confrontar os curdos no local onde o bombardeiro sírio foi derrubado, a fim de resgatar o piloto (missão já cumprida).

Para o efeito travaram-se duros combates com os curdos de Rojava que em função do apoio estado-unidense se estão a recusar a coordenar os movimentos de tropas na direcção da capital síria do Estado Islâmico.

Por outro lado, as unidades de elite sírias, comandadas pelo general Suhail Hassan, “O Tigre”, já estão a sul de Raqqa e isso vai pôr em causa a tentativa dos curdos se tornarem hegemónicos no assalto, prevendo-se novas confrontações no horizonte entre sírios e curdos, dando alguma folga ao Estado Islâmico, que beneficia de algumas linhas de retirada por parte dos intereses da coligação liderada pelos Estados Unidos.

As próximas semanas são de múltiplas tensões e conflitos, todavía há um dado adquirido: a Síria não está disposta a ver seu territorio desagregar-se e, para tal, está a partir da vantagem da maioria da população síria estar já em territorio por si controlado.

Para além do assalto aos núcleos duros do Estado Islâmico (Raqqa e Deir ez Zog), a Síria começa também a recuperar territórios onde estão instalados alguns dos principais poços de petróleo do país, a nordeste.

Os combates tendem a evoluir das áreas mais densamente povoadas em direcção às periferias menos povoadas e aí a confrontação entre unidades regulares dos sírios contra outras forças (incluindo as unidades dos Estados Unidos), é um risco a considerar a sul, sudeste, leste, norte e nordeste.

Mapas:
Localização dos cantões dos curdos sírios, que compõem o território de Rojava; Confrontação entre a Síria e Rojava, apoiada pelos Estados Unidos; Assédio de Rojava a Raqqa.

A consular (Martinho Júnior):

Outras consultas:
De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen – http://www.voltairenet.org/article196028.html
El Ejército Sirio Combate contra los Kurdos y la SDF después del Derribo de un Su-22 por EEUU! –https://topeteglz.org/2017/06/18/el-ejercito-sirio-combate-contra-los-kurdos-y-la-sdf-despues-del-derribo-de-un-su-22-por-eeuu/
EEUU y las brigadas kurdas firman un contrato de cooperación militar por 10 años – http://annurtv.com/eeuu-y-las-brigadas-kurdas-firman-un-contrato-de-cooperacion-militar-por-10-anos/

OBRA DE JOMAV | Prisão de “Manecas” é "deplorável" e mostra "medo" do poder guineense



Detenção de Manuel dos Santos ("Manecas") é "deplorável" e demonstra receio que o poder político da Guiné-Bissau tem "até da própria sombra", afirma escritor e jornalista Tony Tcheka.

"A detenção de Manecas Santos é deplorável e motivo de uma enorme indignação. Nenhum cidadão guineense, independentemente das suas razões e questões ideológicas, pode estar tranquilo com uma atitude dessa natureza", sublinhou à agência de notícias Lusa o também vice-presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau (AEGB).

A detenção na segunda-feira (19.06.) de "Manecas" Santos surgiu na sequência de uma entrevista dada em abril ao jornal português Diário de Notícias, em que o veterano comandante, de naturalidade cabo-verdiana, alertou para a possibilidade, face ao impasse político vigente há cerca de dois anos, de um novo golpe militar na Guiné-Bissau.

O veterano da luta armada pela independência da Guiné-Bissau tinha sido ouvido, há cerca de um mês, pelo Ministério Público, em Bissau, para esclarecer as declarações.

Motivações políticas?

Questionado esta terça-feira (20.06.) pela Lusa, Tony Tcheka, afirmou não ver qualquer outra razão para a detenção de "Manecas" Santos que não "motivações políticas".

A detenção prisional de camarada Comandante Manecas é grande asneira, uma desgraça nacional



GUINÉ-BISSAU

Abdulai Keita* | opinião 

A detenção prisional de camarada Comandante Manecas, um alto oficial das nossas gloriosas FARP na reserva, tendo-se desengajado dessa nossa sociedade castrense sem mácula nenhuma, ao contrário, só com distinções, é uma asneira grande. E pensada no fundo, no fundo, é uma DESGRAÇA NACIONAL. Condenável e a condenar, exigindo a sua libertação imediata, pelas seguintes razões.

1 – Os membros da sociedade castrense de todo o mundo e desde sempre, são cidadãos comuns à partida, como todos os outros cidadãos. Os membros das nossas gloriosas FARP, sobretudo, aqueles da geração de camarada Comandante Manecas, dos anos entre 1963 e 1980 e que sempre se mantiveram firmes na linha originária desta nossa instituição não escapam a esta regra. Uns já nos deixaram e outros ainda encontram-se no nosso seio, estando ainda de vida.

Visto portanto em geral, são cidadãos comuns, mas caraterizados por um elemento particular de destaque das suas vidas. Decidiram ou são os que foram/são chamados a defenderem todos os membros das suas sociedades contra todos os mais feios géneros de ameaças de destruição imediata, particularmente do tipo bélico. Isso, em qualquer momento e sob quaisquer circunstâncias. Tudo sob o empenhamento total e direto das suas vidas.

Por isso é que, os membros da sociedade castrense em todo o mundo, sobretudo quando são elementos dos mais destacados no seu seio, os altos oficiais, tendo cumprido todo o período dos seus serviços sem mácula; portanto, altos oficiais na reserva, são sempre respeitados. Muito respeitados.

Em outras palavras, não podem ser tratados de qualquer maneira. Porque são gente merecedora de grande respeito e honra. E isso se faz e é assim porque beneficia eternamente toda a sociedade. Beneficia toda gente em cada sociedade, em termos da criação permanente e do cultivo de referências benéficas a sua preservação sã no espaço (de imediato) e perpetuação sã no tempo (no futuro).

O camarada Comandante Manecas pertence a esta categoria dos mais destacados altos Oficiais na reserva, das nossas gloriosas FARP. Ele como tantos outros da sua geração que ainda estão de vida, como os camaradas Comandantes Luís Correia,  Lúcio Soares que me vêm agora assim de imediato na memória e que já estão na reserva.

Estes cidadãos nossos, devem e merecem muito respeito e honra, pelo bem da nossa sociedade inteira. Por isso, tratar mal qualquer um deles, tal como no caso aqui in causa, significará sempre, pensado no fundo, no fundo, uma desgraça nacional, e portanto, uma asneira grande, quando perpetrado pelos próprios agentes do nosso poder estatal.

CUBA | Qualquer estratégia para mudar nosso sistema socialista estará condenada ao fracasso



Governo cubano diz que EUA não está em condições de dar lições e que cubanos continuarão firmes na construção de uma nação soberana, independente, socialista, democrática, próspera e sustentável.

Na última sexta-feira (16), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o cancelamento do acordo firmando, em dezembro de 2014, pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, e pelo ex-presidente estadunidense, Barack Obama. Com um discurso típico da guerra fria, o atual mandatário estadunidense ainda reafirmou seu apoio pessoal ao bloqueio contra Cuba, política adotada desde década de 60 e que não foi alterada por Obama.

Cuba reagiu às medidas de Trump dizendo que qualquer estratégia voltada para mudar o sistema político, econômico e social de Cuba estará condenada ao fracasso. Governo cubano ainda disse que EUA não está em condições de dar lições e que cubanos continuarão firmes na construção de uma nação soberana, independente, socialista, democrática, próspera e sustentável.

Leia declaração do governo revolucionário de Cuba sobre as novas medidas de Trump:

Em 16 de Junho de 2017, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, num discurso, carregado de uma retórica hostil, que relembrou os tempos da confrontação aberta com nosso país, proferido em um teatro em Miami, anunciou a política do seu governo para Cuba, a qual reverte avanços alcançados nos dois últimos anos, depois que em 17 de dezembro de 2014 os presidentes Raúl Castro Ruz e Barack Obama fizeram pública a decisão de restabelecer as relações diplomáticas e iniciar um processo encaminhado à normalização dos vínculos bilaterais.

BRASIL | Na crise, placas tectônicas se movem



Luciano Siqueira *

Há uma enorme distância entre as necessidades essenciais do povo brasileiro (e os desafios da nação) e as instituições que compõem a República. Distância e desencontro. 

Os chamados Três Poderes literalmente experimentam um processo de contínuo esgarçamento, envoltos em conflitos intestinos e colidentes entre si.

Crise econômica se resolve pela política. Crise complexa, multifacetada - econômico-financeira, social e político-institucional - como a nossa, mais ainda.

Não há saída à margem da política.

O Estado brasileiro é configurado de tal forma que o terreno próprio da política, em âmbito institucional, reside no Parlamento e no Executivo.

Em tese, não cabe às instituições judiciárias, nem ao Ministério Público, nem à Policia Federal, ocuparem esse espaço.

Hoje ocupam - e têm a iniciativa, em conjugação com o "partido" em que se converteu o complexo midiático monopolizado.

MICHEL TEMER CORRUPTO | Polícia Federal acusa Michel Temer de corrupção passiva



Detalhes de relatório foram divulgados. Os investigadores afirmam que Michel Temer aceitou "vantagem indevida" e destacam silêncio de peemedebista

O presidente Michel Temer é acusado de corrupção passiva pela Polícia Federal (PF) no relatório preliminarsobre a investigação envolvendo o peemedebista e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures. Detalhes do documento apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram divulgados nesta terça-feira (20/06).

Segundo a PF, as evidências indicam que o presidente praticou o crime de corrupção passiva. Os investigadores destacaram que foi possível concluir que Temer aceitou "vantagem indevida" por intermédio de Loures.

"Diante do silêncio do Mandatário Maior da Nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva", afirma o relatório, que foi entregue ao STF na segunda-feira.

O documento destaca que foi dado ao presidente a oportunidade de esclarecer os fatos, mas ele optou pelo silêncio. O peemedebista se recusou a responder as perguntas enviadas por escrito pelos investigadores.

O documento descreve ainda o episódio da mala de propina de 500 mil reais, que beneficiaria Temer, entregue a Loures pelo diretor da JBS Ricardo Saud e ressalta o fato do presidente ter nomeado a Joesley Batista o ex-assessor para intermediar assuntos de interesses da empresa junto ao governo.

A “PRESSTITUTA” INTEGRA A GUERRA PSICOLÓGICA CONTRA A VENEZUELA BOLIVARIANA



Martinho Júnior | Luanda 

1- A “Misión Verdad” em Abril deste ano, publicou uma síntese analítica sobre mais uma tentativa de golpe na Venezuela Bolivariana, que tem o mérito de indicar claramente os mentores da iniciativa, os instrumentos para a levar a cabo e alguns aspectos do seu “modus operandi”.

Em relação aos mentores é indicado o Conselho para as Relações Exteriores (CFR) para a América Latina, financiado pela Fundação Rockefeller e por empresas da órbitra desse clã: a Chevron, a Exxon Mobil, o Citybank e a JP Morgan.

O “think tank” CFR tornou-se responsável, por intermédio do seu Director, O’Neil, por apresentar ao Comité de Relações Exteriores do Senado, todo o plano de acção com vista à provocação do golpe na Venezuela, incluindo as acções sócio-políticas, de guerra psicológica, económicas e financeiras, plano esse que continua a prevalecer no âmbito das políticas dos Estados Unidos nos relacionamentos para com a América Latina, como uma das prioridades ofensivas, de ingerência e de manipulação (a outra é em relação a Cuba).

2- No âmbito da guerra psicológica desencadeada, recorrendo a ementas típicas das “revoluções coloridas” e “primaveras árabes”, a “presstituta” (entenda-se a imprensa prostituída pelos interesses enunciados pela “Misión Verdad” ao nível da aristocracia financeira mundial), mobilizou não só meios nos Estados Unidos (particularmente os habituais meios ligados às oligarquias das comunidades hispânicas residentes), como também meios dispersos por toda a América Latina (sob controlo das mais retrógradas das suas “empedernidas” oligarquias agenciadas de longa data por Washington), assim como de meios no espaço da União Europeia, particularmente na Península Ibérica, em Portugal como em Espanha.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A ECONOMIA POLÍTICA E O GRANDE SALTO ATRÁS



Os banqueiros dominam a produção, controlam os palácios, não pagam impostos. As sociedades tornam-se impotentes. A democracia reduz-se a ficção. Diante da crise da modernidade, o neoliberalismo propõe marcha à ré

Luis Casado, Politika | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Alamy Shutterstock, The Economist

A gruta de Lascaux (Dordogne, França) possui uma das mais impressionantes amostras de arte rupestre do Paleolítico. Em 80 a 90 metros de comprimento, foram classificadas 1.963 unidades gráficas entre pinturas e gravações, 915 das quais são de animais. Ao lado de Altamira (Cantabria, Espanha) e Chauvet (Ardèche, França), ela constitui o que os entendidos chamam de Capelas Sistinas da arte pré-histórica, ainda que as imagens não mostrem nenhum querubim.

Apesar de Lascaux não ter as atrações ou a variedade de um shopping e, diga-se o que quiser, não ser tão emocionante como a Eurodisney ou o final da Liga dos Campeões, até 1955 recebia mais de 1.200 visitantes por dia. O dióxido de carbono produzido pelos turistas começou a danificar as obras que o Homo sapiens sapiens pintou há uns 15 a 18 mil anos, de modo que, para garantir sua preservação, a gruta de Lascaux foi fechada ao público em 1963: triste fim de uma oportunidade de negócio.

Conta-se que Picasso esteve entre os privilegiados que chegaram a visitar Lascaux. Ao sair, os jornalistas perguntaram sua opinião. O pintor, impressionado pelo que havia visto, declarou: “não inventamos nada”.

Nem o abuso de criatividade de Picasso, que no seu auge pintava de diferentes maneiras, sem jamais satisfazer-se com o resultado, conseguiu superar as técnicas e a arte que praticaram os cro-Magnons do Paleolítico.

Por isso, entre outras razões, não me surpreendeu que Bernard Maris assegurasse, num de seus livros, que a Teologia e a Economia não descobriram nada nos últimos séculos. Questão de fé, há mais de dois mil anos é a mesma cantilena: o padre, o filho e o espírito santo. Amém. Por sua vez, quando perguntavam a Milton Friedman, “O que há de novo?”, Milton, que era um gozador, respondia “Adam Smith” — e morria de rir.

TIMOR-LESTE | PR pede respeito e ambiente de paz e estabilidade para voto de 22 julho



O Presidente da República de Timor-Leste apelou ontem aos eleitores que votem com responsabilidade e ajudem a garantir que a campanha para as eleições de 22 de julho, que começa terça-feira, decorre num ambiente de respeito, paz e estabilidade.

"A todos os cidadãos apelo a que votem com sentido de responsabilidade e respeito. Participem no processo de campanha para ajudar a esclarecer o povo timorense. O voto é muito importante para o país", afirmou Francisco Guterres Lu-Olo numa mensagem em vídeo.

"As forças de segurança garantirão a segurança. Sei que o povo votará com sentido de responsabilidade", afirmou.

Numa mensagem transmitida na página da Presidência da República no Facebook, Francisco Guterres Lu-Olo dirige-se ao "povo de Timor-Leste" para recordar a responsabilidade de todos em eleger um Governo que terá a responsabilidade de conduzir a vida do país.

"São 21 forças políticas que correram para ter o vosso voto de confiança a 22 de julho. Uma corrida normal no sistema multipartidário e democrático que temos em Timor-Leste e onde não cabe a violência", disse.


"Peço-vos a todos que não profiram ou escrevam palavras que atinjam a dignidade dos outros. Que falem sempre respeitando os outros e as suas ideias", afirmou ainda.
O objetivo, disse Lu-Olo, é levar a cabo uma eleição "livre e democrática" em que "não haja violência organizada, sem conflito, num ambiente de paz e estabilidade".

Lu-Olo recordou que os líderes dos partidos "já assinaram a 16 de junho no Palácio do Presidente um compromisso de garantir a paz e a estabilidade" e apelou "a todos os militantes e simpatizantes dos partidos para que honrem esse compromisso".

Os eleitores timorenses escolhem a 22 de julho os 65 membros do Parlamento Nacional, tendo um boletim de voto com 20 partidos e uma coligação.

A campanha começa na terça-feira e decorre até 19 de julho, decorrendo antes do voto dois dias de reflexão e que permitem que os timorenses se desloquem para votar nos locais onde estão recenseados.

SAPO TL com Lusa

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Timor-Leste | PST ENTREGA MENSAGEM AO PRESIDENTE LU ÓLO



Mensagem do PST entregue ao Presidente da República de Timor-Leste durante o encontro com dirigentes partidários


Sua Excelência
Presidente da República Democrática de Timor-Leste
Dr. Francisco Guterres Lu Ólo

Exmos. Senhores líderes dos Partidos Políticos de Timor-Leste

Díli, 16 de Junho de 2017

Respeitosos cumprimentos.

Estamos hoje aqui reunidos no Palácio Presidencial para falarmos sobre a consolidação dos Partidos e sobre a paz e estabilidade em contexto de eleições legislativas.

A “paz” (do latim Pax) é uma palavra geralmente entendida como um estado de calma e tranquilidade, ou seja, quando estamos em “paz” não há preocupações, nem agitações.


Se “paz” significa bem-estar e felicidade, perguntamos, será que o povo timorense está em paz?

Será que os nossos agricultores e assalariados estão calmos, tranquilos e felizes? Estão em paz?

Estas são perguntas que devemos fazer a todos nós, com total responsabilidade, principalmente em contexto de eleições legislativas e enquanto candidatos ao Parlamento Nacional.

Ao pensarmos na Constituição da RDTL, em particular nos artigos referentes aos direitos e deveres económicos, sociais e culturais, depressa concluiremos que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançarmos a paz.

Segundo a constituição da RDTL, entre outros objectivos:

O “Estado promove a criação de cooperativas de produção e apoia as empresas familiares como fontes de emprego”; “Todos os cidadãos têm direito à segurança e à assistência social nos termos da lei”; “Todos têm direito à saúde e à assistência médica e sanitária e o dever de as defender e promover”; “Todos têm direito para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar; “Todos têm direito à igualdade de oportunidades de ensino e formação profissional”.

Para o PST, Partido Socialista de Timor, o compromisso com a paz e a estabilidade estão directamente ligados aos objectivos defendidos no seu programa partidário conducente ao cumprimento da Constituição da RDTL, ao bem-estar do povo, e à construção da paz e da estabilidade.

A paz não é somente a ausência de guerra entre países ou entre pessoas.

Para o PST, paz é garantir que todos tenhamos casa com dignidade, que os agricultores possam trabalhar as suas terras, que os estudantes tenham apoios sociais diversos, e que todos os timorenses tenham acesso à saúde, à educação e ao trabalho, construindo-se o amor, a paz e a compreensão.

Nestes termos, o Partido Socialista de Timor,

Iluminado pelos princípios e objectivos enunciados na Constituição da República Democrática de Timor-Leste e na Carta Universal dos Direitos do Homem;

Sentindo que os partidos políticos timorenses podem e devem contribuir para a promoção e reforço da paz, da democracia, do Estado de direito, da segurança e do desenvolvimento do país;

Decidido em contribuir para a promoção dos valores universais e dos princípios da democracia e dos direitos humanos;

Preocupado em contribuir para a promoção de uma cultura de alternância política com base em eleições legislativas verdadeiramente justas e livres supervisionadas por um órgão eleitoral independente nos termos da Constituição da RDTL;

Defende que,

Os partidos políticos desempenham um papel fundamental na consolidação da democracia e da paz porque representam várias ideologias e convicções políticas existentes na sociedade.

Uma das principais razões e importância dos partidos políticos nas eleições legislativas é que estando devidamente registados e aprovados pelo Tribunal de Recurso podem apresentar candidatos ao Parlamento Nacional que por sua vez, depois de eleitos, irão debater e procurar soluções para os inúmeros problemas e desafios que atormentam a nossa sociedade.

A construção da paz e da estabilidade é um processo delicado e complexo que exige o empenho e dedicação de todos os partidos políticos, principalmente aqueles que integram os órgãos do poder e decidem sobre a definição das políticas necessárias à governação e ao desenvolvimento sustentável de Timor-Leste.

Muito obrigado pela Vossa atenção.

Viva a paz e a estabilidade em Timor-Leste! Viva o Povo Timorense!

Com a mais elevada consideração,

O Secretário-Geral do PST, M. Azancot de Menezes

O Vice-Presidente do PST, Constâncio dos Santos /Akita Tama Laka

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ANTES E DEPOIS | O verão da tolerância zero de António Costa



Bernardo Ferrão | Expresso | opinião

Haverá um antes e um depois do incêndio de Pedrógão para o Governo de António Costa? Há, sem dúvida.

No ano e meio que já leva de chefia de Governo, Costa conseguiu somar uma alta popularidade. Não era fácil para alguém que não ganhou as eleições e a quem a direita teimava em chamar “primeiro-ministro ilegítimo”. Mas além das conquistas alcançadas na frente económica e política, o primeiro-ministro trouxe a confiança que faltava aos portugueses.

Só que depois de Pedrógão um novo filme começou a correr. Na entrevista que deu à TVI, Costa quis fazer o chamado “damage control” e responder aos “porquês?”, mas saltou à vista o seu desconforto. A falta de confiança na atuação das autoridades. Logo ele, ex-ministro da Administração Interna, que sabe como poucos o que é lidar com fogos desta dimensão.

As coisas não correram bem e Costa não pôde deixar de admitir o óbvio: houve descoordenação no terreno. Mas, sublinhe-se, a situação foi de tal forma grave e rápida no tempo que redundou numa série de acontecimentos que correram da pior forma. Um exemplo perfeito da Lei de Murphy. Ainda sem culpados.

Não se trata aqui de apontar o dedo a ninguém. Haverá certamente culpas mas essa é tarefa da investigação. No entanto, acredito que depois de Pedrógão a vida deste governo não será exatamente a mesma. O nível de tolerância com o Executivo será menor. É difícil imaginar como será a reação do país se, nos próximos meses, surgirem novas mortes em incêndios descontrolados. Reparem que o verão ainda mal começou.

Dirá o leitor que estou a agoirar. Nada disso! O que vos falo é de um historial que conhecemos de cor. Décadas de incêndios, ano após ano, e de erros sistemáticos que nunca são corrigidos apesar das muitas promessas que se fazem quando as cinzas ainda estão quentes. Vejam a vergonha do SIRESP: custa uma fortuna mas serve-nos de pouco. O Estado já nos falhou muitas vezes, mas desta vez foi diferente. Há 64 mortos e mais de 200 feridos. A nossa confiança esmoreceu.

Num artigo duro sobre o que se está a passar em Portugal, o correspondente do “El Mundo” escrevia que esta tragédia pode por fim à carreira política de António Costa. A profecia parece-me claramente exagerada, mas toca numa questão que está ainda adormecida no debate: quais são as consequências políticas? É lícito concluir que se fosse com outro Governo, e sobretudo com outra oposição, a discussão política já teria subido de tom. A ausência e a fragilidade política de Passos Coelho, o discurso alinhado das esquerdas - que agora até “rezam” pela chuva - e os abraços “reconfortantes” de Marcelo no terreno têm evitado a contestação ao poder político.

Sim, ao poder político. Na verdade, não podemos olhar para o que se passou e concentrar as nossas acusações apenas e só na liderança de António Costa. As culpas repartem-se por quem nos governou nos últimos anos de mão dada com muitos interesses: o PS de António Costa esteve lá mas também o PSD de Passos Coelho. Fizeram-se muitas leis, mas faltou um olhar de conjunto para este enorme problema. O desígnio nacional que não existiu não pode agora ser resolvido à pressa como quer Marcelo no seu afã de agradar ao povo (e ficar bem na fotografia). 64 vidas… O verão será de tolerância zero para António Costa.

Agora é ele que representa o Estado, que uma vez mais não nos soube proteger.

Foto Reuters